Nasceu em Lisboa em 1961 e após ter cursado Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, frequentou o curso de desenho do A.R.C.O e o curso de História de Arte na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Quando se contempla um quadro de Oliveira Tavares, a nossa atenção concentra-se nas personagens provenientes de imagens mais antigas. Velasquez, Vermeer. É normal, pois, a nossa cultura incitar-nos a reconhecer rapidamente estes seres que pertencem desde há muito à História da Arte. Mas um segundo olhar revela-os, muitas vezes, transformados, transfigurados, muito mais etéreos do que do original. Notamos, também, que não aparecem [...]
quase nunca integralmente. Como se estivessem presentes unicamente para focalizar a nossa atenção. Depois, o nosso olhar vai ainda mais longe e aparece então uma pintura abstracta, geométrica ou gestual. A partir de agora, a cor evidencia-se, com as suas pulsações particulares. Mas, mais longe ainda, tomada quase transparente, invisível, ausente, pelo peso pictórico das duas primeiras componentes, damo-nos conta da existência de uma escrita, por vezes legível, em relação com os personagens evocados. Outras vezes, impossível de compreender, de decifrar, assumindo o papel de um elemento pictórico específico.
A pintura de Oliveira Tavares decompõe-se assim em três elementos e retira a sua força da sua complementaridade. Não se trata, por consequência, de uma pintura histórica, mas de uma pintura de recordação. Uma lembrança profundamente enraizada no presente, nas novas possibilidades de expressão descobertas no séc. XX. É por conseguinte, uma pintura de hoje. Oliveira Tavares começou pela paisagem, no desejo de adquirir os conhecimentos técnicos indispensáveis. Fez em seguida outras experiências: mistura de paisagem e de abstracção, com formas mais definidas, como o quadrado. Mais tarde, outras pesquisas, a partir da fotografia, utilizando uma textura leve. “Aproximação da pedra e do vento”, diz ele. A sua pintura actual é emocional na composição do quadro, intelectual da
definição e na distribuição das linhas, dos planos mais importantes, das diagonais, das horizontais, das helicoidais. Ele procura uma execução mais perfeita, uma pintura mais dinâmica. A escolha dos temas, em si, é intuitiva, emocional. Uma pintura quase enigmática.
Uma pintura de vestígios e de descobertas.