Júlio Resende (1917-2011) foi um dos mais aclamados mestres do modernismo português. Nascido no Porto, a sua longa e prolífica carreira afirmou-o como uma figura central da segunda geração de artistas modernos, com uma obra que abrangeu a pintura, o desenho, a gravura, a cenografia e a arte pública. A sua linguagem plástica evoluiu do neorrealismo para uma poderosa abstração lírica, marcada por uma expressividade e uma humanidade profundas.
A sua formação decorreu na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP), onde foi aluno de Dórdio Gomes e onde mais tarde viria a ser um professor catedrático de grande influência, lecionando durante décadas. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, realizou viagens de estudo a Paris, Espanha e Flandres, que foram fundamentais para o seu desenvolvimento artístico.
Na década de 1940, Júlio Resende foi uma das figuras de proa do movimento neorrealista, focando a sua obra em temas de cariz social, como a vida dos pescadores e dos trabalhadores. A sua pintura desta fase é um testemunho da realidade social do país.
A partir da década de 1950, o seu estilo evoluiu para uma depuração progressiva da forma, culminando numa abstração lírica e gestual. As suas telas passaram a ser caracterizadas por uma atmosfera densa, onde figuras humanas emergem de fundos texturados, com um domínio notável da luz e da cor. É autor de obras de arte pública de grande escala, como o icónico painel de azulejos “Ribeira Negra”, no Porto.
A sua obra foi exposta de forma contínua em Portugal e no estrangeiro desde a década de 1940.
Ao longo da sua carreira, recebeu os mais prestigiados prémios e condecorações nacionais.
Um dos seus maiores legados, para além da sua vasta obra, foi a criação do “Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende”, em Gondomar. Inaugurada em 1993, a fundação alberga um importante acervo do artista e dedica-se à promoção e estudo do Desenho como forma de expressão autónoma, perpetuando a sua visão da arte e o seu papel como pedagogo.