Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006) foi um aclamado pintor e poeta português, considerado a figura central e o principal dinamizador do movimento Surrealista em Portugal. Nascido em Lisboa, a sua vida e obra foram marcadas por uma atitude de vanguarda, de rutura com as convenções e de defesa da liberdade na arte e na vida.
Cesariny estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. O momento mais decisivo da sua formação, no entanto, foi a sua viagem a Paris em 1947. Aí, teve contacto com o fundador do movimento surrealista, André Breton, e com outros membros do grupo, uma experiência que o marcou profundamente.
De regresso a Portugal, tornou-se a força motriz do Surrealismo português. Foi uma das figuras centrais do Grupo Surrealista de Lisboa e, posteriormente, do grupo dissidente “Os Surrealistas”, que fundou juntamente com outros artistas como Cruzeiro Seixas e António Maria Lisboa. A sua obra plástica, muitas vezes referida como “pintura automática”, explora o subconsciente, o sonho e o absurdo, com uma forte componente lúdica e subversiva.
A sua carreira foi marcada por exposições que foram verdadeiros marcos históricos para a arte portuguesa.
Embora a sua atitude antissistema o tenha mantido afastado de prémios durante grande parte da sua vida, na fase final da sua carreira recebeu o mais alto reconhecimento do Estado Português e do mundo literário.
O seu legado é o de um artista que recusou fronteiras entre a poesia e a pintura, dedicando a sua vida a uma exploração radical da liberdade e do imaginário, e definindo de forma indelével o curso do Surrealismo em Portugal.