Arlinda Frota

Arlinda Frota dedica-se à pintura em porcelana desde há perto de duas décadas, quando ainda exercia a sua outra profissão de médica internista.

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Foi exactamente em Macau nessa cidade que é ponte entre culturas que a artista recebeu ensinamentos de uma mestra portuguesa e adquiriu o traço fino com que se deleita a criar harmonia, na superfície imaculada da porcelana.

Arlinda Frota pinta objectos decorativos – múltiplas peças que vão da taça mais delicada à pequenina caixa para joias – como se dum quadro se tratasse, com a mesma paixão do pintor diante da sua tela. Só que o seu mundo é um universo pequeno, como que a exprimir ternura pela decoração em miniatura e pelas cores que escolhe e compõe o que sai do seu mundo interior, da sua imaginação.

Muitos foram os caminhos que tem percorrido a sua viagem artística, de Macau à Coreia, da Indonésia a Lisboa ou a Luanda. São estes mundos diversos que se encontram numa síntese artística que prima, efectivamente, por uma extrema originalidade.

A artista de muitas facetas (óleos, acrílicos, técnicas mistas). Nos seus trabalhos de pintura em porcelana, procura combinar expressões estéticas de duas culturas inteiramente distintas: a cultura Asiática, mais especificamente a Chinesa e a ocidental — a cultura Portuguesa.

O seu itinerário interior reflete, com efeito, a descoberta de uma sensibilidade estética, enquanto a artista exercia a outra sua atividade profissional, como médica, em Macau, no final dos anos 90, depois na Coreia e na Indonésia.

Encontrou uma enorme atração nos motivos mitológicos como o dragão, e nos religiosos com a figura de Buda nas suas diversas expressões. Também a Arte dos traços simples mas cheios de significado, muito decalcada na tradição caligráfica ainda hoje cultivada na República Popular da China.

Com a sua mudança para a Coreia do Sul, em 2002, novos elementos vieram completar o itinerário pessoal, tendo descoberto um sublime prazer estético também na pintura em papel de arroz, evoluindo simultaneamente para temas abstratos que lhe proporcionaram, naturalmente, uma maior latitude na sua liberdade de expressão artística.

A artista confessa que a pintura em porcelana constitui a base através da qual orientou a sua produção artística, optando, no entanto, por novas técnicas que « ao sabor de influências, materializa em peças únicas ».

A artista não esquece os artistas asiáticos e seus professores portugueses de pintura em porcelana pelo apoio nesta caminhada, esperando diz: « que o caminho para a liberdade de expressão artística, onde possa expressar todas as inter-relações da cultura portuguesa e do extremo Oriente, seja aceite com agrado, de acordo com o espírito português, de abertura ao mundo.

Arlinda Frota: CNAP – 2015
O amor e a paixão pela pintura em porcelana.
O ser humano reconstrói também o mundo à sua volta através da arte.
Arte criada no ocidente como no oriente hoje ou no passado distante e que influenciou o planeamento urbano, a arquitectura e as artes decorativas durante milhares de anos.
A delicadeza dos materiais, a minúcia dos detalhes quando pinto flores, árvores, paisagens, pássaros, plantas, borboletas, ou outras formas retiradas da natureza e também figuras humanas, sempre me encantaram desde a minha infância.
O próprio toque da porcelana e o brilho que dela emana são motivos complementares para a minha devoção.
Como médica há já 44 anos, sempre viajei, trabalhando em diferentes países e lugares.
Depois da Europa e da África, a minha passagem pela China, como pela Coreia do Sul e pela Indonésia foram etapas muito importantes no meu percurso como pintora.
Sendo eu própria portuguesa, fui descobrindo em todos estes países as influências que ficaram da passagem dos portugueses pela Ásia, há alguns séculos atrás.

Acreditando profundamente na harmonia e na paz entre os povos, penso que enfatizar as influências recíprocas entre culturas é a melhor maneira de promover o entendimento mútuo entre os seres humanos, destacando a ideia simples mas decisiva de que a Humanidade é uma só.

Medicina e Arte não são para mim abordagens antagónicas mas sim complementares, porque tanto a Medicina como a Arte requerem quase a mesma intuição e inteligência emocional. A prática da Arte significa, para mim, materializar sentimentos e harmonia que dão sentido ao universo, à sociedade, à natureza e à humanidade.

É por esta razão que, ao longo da minha evolução pessoal, tanto a paixão pela Medicina como pela Arte sempre coexistiram pacificamente sem nunca se contradizerem.
Com toda esta experiência, comecei a aprender técnicas de pintura em porcelana em 2000 em Macau, reconhecendo neste tipo de pintura a quintessência da cultura chinesa. Mas curiosamente, o meu mestre não era chinês, mas sim uma senhora portuguesa que há várias décadas residia nesta cidade.

Essa professora ensinou-me a tratar a porcelana com amor e como a acarinhar. Mais tarde, aperfeiçoei esta técnica com o grande Mestre Filipe Pereira.
A combinação de elementos portugueses nos meus trabalhos iniciais são uma boa prova da minha preocupação em combinar culturas de forma a enfatizar a harmonia.
Em 2004, na Coreia do Sul, descobri a riqueza do papel de arroz, a sua textura particular, as gradações da cor verde na natureza, especialmente no Outono. Descobri a elegância e a delicadeza da pintura coreana, da tradução do bambú para o papel, através da pintura.

Mas o meu amor pela porcelana foi mais forte e, através de muito trabalho árduo, organizei diversas exposições apenas neste material. Alguns dos meus trabalhos logo de início receberam prémios tão prestigiantes como o Prémio Kofi Anan, entregue pelo próprio ex-Secretário Geral das Nações Unidas, no âmbito da “7thWorld Peace Exhibition”em 2004.
A Indonésia foi um ponto de viragem na minha carreira, com a introdução dos padrões de batik nas minhas pinturas.
Desde a minha chegada a Jacarta em 2009 descobri a beleza do “Batik” e dos seus padrões clássicos.

Arlinda Frota

Técnica: Pintura sobre cerâmica

Técnica: Pintura de cerâmica

Pintura sobre cerâmica

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